25 de maio de 2012

Natureza, pobre natureza.

Este artigo faz parte da Coluna que assino todos os sábados na Rádio Santa Isabel FM*, de Viamão-RS, dentro do programa Assim Canta o Rio Grande, de apresentação do radialista e tradicionalista Paulo Silva.

Esta semana um dos assuntos em Brasília foi o  Código Florestal. Da maneira como a lei foi votada no Congresso Nacional as coisas continuaram ruins na questão da preservação ambiental e recuperação de áreas afetadas pelos agricultores. Ontem, dia 25, numa tentativa de impedir a anistia a desmatamentos, a presidente Dilma Rousseff decidiu vetar 12 dispositivos da lei e editará uma medida provisória para preencher lacunas do texto.

Isto me fez refletir sobre a situação em que se encontra a natureza em nosso país. Rios poluídos, solo contaminado por lixo por todos os lados, desmatamento, são algumas das agressões que a natureza no Brasil tem sofrido desde que eu me conheço por gente.

Eu gostaria de convidá-lo a pensar se o que fazemos no dia a dia causa dano a natureza.

Sabe, quando eu tinha uns 9 anos, por volta de 1978, lembro-me que a minha família queimava no quintal o lixo que produzíamos em casa. O meu pai abria um buraco no chão no fundo do quintal, e sempre que o cesto do lixo estava cheio a gente jogava o lixo dentro deste buraco e uma vez por semana, se não me engano, se queimava o lixo. Sempre que o buraco estava cheio, abría-mos um novo buraco e com a mesma terra cobría-mos o buraco antigo. Eu morava na zona sul de Porto Alegre e isso era natural para mim quando eu era criança, naquela época o município não tinha coleta domiciliar de lixo. Quando surgiu a coleta, nos moldes que é feita até hoje, lembro-me que os ambientalistas alegaram que a queima de lixo em casa causava danos Ia camada de ozônio, e ao meio ambiente pela fumaça que isso causava aos vizinhos e devido a proliferação de insetos e ratos. A partir de então o lixo começou a ser colocado em local chamado Lixão Público. Daí, hoje, me pergunto: O que isso causou de bem a natureza já que a proliferação de insetos e ratos continua. Apenas a fumaça que causava mal aos vizinhos talvez tenha sido solucionada. Mas com a criação do Lixão Público não se causou nenhum dano a natureza? É claro que sim. Outros danos a natureza foram causados com a contaminação do solo e lençol freático responsável pelos reservatórios d'água.

Sabe pessoal, esta questão do lixo sempre me faz refletir que a indústria mudou muito nestes anos da década de 1970 para cá. Antes as embalagens de vários produtos eram de lata e vidro. Quase não existia embalagem plástica. Produtos de limpeza vinham em embalagens de lata e vidro, o mesmo acontecia com boa parte dos alimentos e muitos outros produtos como os medicamentos. Os refrigerantes vinham em garrafas de vidro. O extrato de tomate em latas ou copos de vidro. O óleo vegetal para cozinha, o azeite, era em lata. O pão era embrulhado no papel manteiga, a carne e as linguiças, além da mortadela e o queijo também. Ah, não se pode esquecer do leite que era entregue em litro em garrafa de vidro. Tanto lata (metal) quanto vidro são matérias primas recicláveis. Lembro-me que para ganhar uns "pila" a gente vendia garrafas quebradas e latas vazias, e pagavam muito bem naquela época, pois as indústrias beneficiavam estes produtos para fazer novas embalagens.

Hoje em dia cada vez mais eu me pergunto como que a gente sem questionar usamos estes produtos todos em embalagens plásticas. As indústrias passaram a usar esta matéria-prima e nenhum de nós questionou o dano que isso vem causando ao meio ambiente nestes anos todos. O que será que aconteceu com os empresários, os governantes, e com a sociedade que permitiram isso? Pessoas jogam lixo dentro de sacolas plásticas em qualquer lugar, nas ruas, nos terrenos baldios, em meio as matas, dentro de córregos, etc. E o lixo acondicionado nas sacolas plásticas vão para os lixões como disse antes...

Ah, quanta agressão ao meio ambiente!

Poderia falar de inúmeras outras agressões que fazemos a natureza diariamente, como por exemplo o esgoto sanitário que é jogado nos arroios ou valões, e todos desaguam em rios ou, em algumas cidades, diretamente no oceano.

Importante perguntar por que fazemos tudo isso. Por que encontramos solução a tantas coisas para dar conforto a nossas vidas, mas não nos preocupamos com o dano que isso causa a própria natureza e indiretamente a nós mesmos? Já parou para pensar nisso?

Um bom exemplo para esta dicotomia é o ônibus. Ele é um meio de transporte que nos traz conforto não é mesmo? Pois você já imaginou como iríamos ao trabalho ou a escola sem o ônibus? Sem dúvida seria bem complicada a nossa vida, mas é preciso analisar o que está relacionado a este meio de transporte. O ônibus polui a natureza através do óleo diesel que utiliza. Os bondes (trens), que em 1970 foram substituidos por ônibus não poluiam, pois eram movidos por eletricidade, no entanto nós, cidadãos, permitimos que o sistemas de transporte coletivo fosse alterado, e passamos a ser transportados por um tipo de veículo que polui. Sem falar noutro fator que é custo de renovação da frota de ônibus a cada 10 anos, contra uma durabiliadade da carroceria dos bondes em torno de 100 anos. É preciso encarar esta situação, quem ganha com este sistema de transporte coletivo, mas esta é outra questão e poderá ser abordada noutro artigo.

Para concluir, quão bom será se para começar a agir em prol da nossa natureza fizermos um questionamento imprescindível nos dias de hoje. Pergunte a si mesmo: o que tenho feito para salvar a natureza? Por exemplo, a simples substituição das sacolas plásticas para embalar a compras nos mercados, por caixas de papelão ou sacolas ecológicas, irá solucionar este problema? Não, pois sacos de lixo, também de plástico, continuarão a embalar o lixo que irá ser jogado no mesmo local, lixão público.

Então, façamos algo em prol da natureza, digamos não as sacolas plásticas para embalar compras e digamos não também a embalar lixo com sacos plásticos. Temos que propor aos vereadores uma outra solução para o descarte do lixo. O lixo domiciliar pode ser colocado dentro de tonéis de lata em nossas casas e estes podem ser descarregados dentro dos caminhões da coleta domiciliar, ou de outra forma politicamente correta. Pensemos nisso e nos pronunciemos publicamente sobre isto. Quem sabe nossa consciência possa se sentir melhor, e a nossa natureza também.

Bom sábado a todos e até semana que vem se Deus assim nos permitir.

* Rádio Santa Isabel - 87.7 FM - https://radiosantaisabel.com.br

--

João Batista Maciel Gonçalves
Acadêmico de Filosofia - PUCRS
Trabalho social desenvolvido:
- Conselheiro do Orçamento Participativo de Porto Alegre na Temática da Cultura, e da Comissão de Cultura da Lomba do Pinheiro;
- Delegado do Fórum de Planejamento do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto Alegre;
- Presidente da Acomasf - Associação Comunitária Santa Filomena, bairro Lomba do Pinheiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário