Queria fechar os olhos e ao abri-los novamente queria estar em 1978. Queria estar com meus pais, minhas irmãs, meus vizinhos e colegas de colégio naquela época. Se isto acontecesse eu abriria os olhos e estaria em Belém Novo, de manhã cedinho pegaria o ônibus lá na Aberta dos Morros, apresentaria ao cobrador a carteirinha escolar da Umespa com a minha passagem escolar , que era de papel. Pela janela eu veria a estrada Juca Batista cortar os campos com o gado a distância. Passando pelo aeroclube eu me deliciaria com um monomotor cruzando o céu azul em direção a ponta do guaíba lá pelas bandas da Borregart. Chegando na escola seria aquela algazarra na pracinha em frente a igreja matriz N. Sra. da Conceição de Belém Novo. Na sala de aula o Gilson iria me encher o saco e me imprimir medo dele. Mas eu me daria bem porque o Ronaldo era meu maior amigo e todos respeitavam ele, inclusive o Gilson. Lá estaria também a professora passando a a matéria no quadro negro e na saída eu com certeza iria acompanhá-la até a parada do ônibus. Eu era apaixonado por ela. Seu nome? Como era? Não me recordo agora mas era parecido com um marca de café da época... hehehe Acho que chamava-se Itamara. Me lembrar de como eram aqueles dias me faz lembrar que quando eu tinha dinheiro pro lanche passava na hora do recreio lá na padaria na esquina da Juca Batista com a Av. Beira Rio. Pedia um sanduíche com pão cervejinha, queijo e mortadela... huummm que delícia, e para beber pedia Pepsi que era servida em garrafinha de vidro. Depois eu, o Ronaldo, o Sandrinho e mais um colega que era gordinho (qual o nome dele? Bah esqueci) nos aventurávamos por trás do colégio e como aventureiros pulávamos de pedra em pedra sobre a prainha do Rio Guaíba por detrás das mansões que levavam ao final da linha do ônibus. Como era bom. Naquela época tudo era inocente e não havia alguém para fazer mal a pequenos estudantes. No verão uma vez tiramos as roupas e nos jogamos na água. Alegrias de meninos com 9 anos de idade. E assim eram os dias. Problemas? Se haviam eu não sabia. Apenas esperava o dia seguinte para novas aventuras.
João Batista Maciel Gonçalves
Morador da parada 14 do bairro Lomba do Pinheiro
Porto Alegre, RS